22/06/2011

Saber Viver


     Não sei... Se a vida é curta
     Ou longa demais pra nós,
     Mas sei que nada do que vivemos
     Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

     Muitas vezes basta ser:
     Colo que acolhe,
     Braço que envolve,
     Palavra que conforta,
     Silêncio que respeita,
     Alegria que contagia,
     Lágrima que corre,
     Olhar que acaricia,
     Desejo que sacia,
     Amor que promove.

     E isso não é coisa de outro mundo,
     É o que dá sentido à vida.
     É o que faz com que ela
     Não seja nem curta,
     Nem longa demais,
     Mas que seja intensa,
     Verdadeira, pura...
     Enquanto durar.

Cora Coralina

13/06/2011

Alterações das Representações - 1ª Parte


     São conhecidas como representações as imagens mentais de objetos e fenômenos de experiências passadas e que podem ser evocados de forma voluntária ou involuntária. O que chamamos de "imagens mentais" não são a reprodução exata da realidade, mas sim a reprodução das sensações e percepções que a pessoa teve ao entrar em contato com esta realidade. 

      As imagens  tendem a conservar os elementos mais importantes dos objetos, abandonando caracteres secundários, não essenciais e são mesclados pelo significado afetivo dado a estes, pela pessoa que vivenciou  determinada situação.

    Abaixo irei definir os tipos de imagens existentes:


Imagem visual: as imagens visuais são projetadas num campo visual imaginário, que não coincide com o campo visual real e atual.  Podem representar cenas, quadros fixos, paisagens ou objetos que são descritos sob aspectos diferenciados: o colorido (tons chamativos ou salientes) ou a forma, a linha, o contorno.

Imagem auditiva: Nas imagens auditivas a pessoa revive memórias auditivas experimentadas no passado. É importante perceber que as palavras podem ter um significado diferente do real, particular e relativo ao sujeito.

Imagens gustativas e olfativas:  Estas imagens se manifestam na consciência  com perfeita nitidez sensorial; seus conteúdos tem importante associação afetiva.

24/05/2011

Alterações da Percepção (e Sensação) - 2ª Parte

As alterações da percepção são:

Agnosias
São falhas na diferenciação das sensações elementares, em seu reconhecimento e integração. 
Na agnosia visual o paciente se mostra incapacitado para identificar o objeto ou a forma através da esfera óptica, podendo descrever cor, formato, densidade, mas não consegue sintetizar estas informações.
Na agnosia tátil percebe-se a incapacidade  para reconhecer objetos mediante o sentido do tato.
Na agnosia auditiva o enfermo ouve sons e ruídos, mas não consegue identificar o que são; não os compreende.

Alterações da Síntese Perceptiva 
São  alterações primitivas na percepção dos objetos e fenômenos do mundo exterior e do próprio corpo. Em casos assim, nota-se além da deformação do objeto, modificação nas relações espaciais.

Ilusão
Trata-se de uma percepção deformada de um objeto real e presente.

Aberrações Perceptivas
Quando objetos comuns adotam, sob a ótica do enfermo, cores inusitadas e/ou brilhantes, atraindo sua atenção de forma inusitada. O mesmo acontece com efeitos de luz e sombra.

19/05/2011

Alterações da Percepção (e Sensação) - 1ª Parte


Antes de falarmos sobre as alterações da percepção é preciso conceituar sensação e percepção.

A sensação é o fenômeno psíquico elementar,que resulta da ação da luz, do som, do calor, etc. sobre nossos orgãos sensoriais. Pode ser divida em: sensações internas e externas. 

As sensações internas são aquelas que refletem os movimentos de partes isoladas do nosso corpo e o estado de orgãos internos e manifestam-se sob a forma de sede, fome, fadiga, mal ou bem-estar .

As sensações externas se originam nos orgãos dos sentidos; neste grupo incluem-se as sensações olfativas, gustativas, táteis, auditivas e visuais.

A percepção é a decodificação das informações obtidas através das sensações. A diferenciação ou a soma do que são as cores, formas, tons, ruídos, a impressão de duro mole, liso, rugoso, quente ou frio. No ato perceptivo há a apreensão de uma situação ou elemento, que foi decomposto e recomposto pelas sensações.

As patologias das sensações são:

Hiperestesia: aumento da intensidade das sensações; elevação da sensibilidade fisiológica do indíviduo aos vários estímulos sensoriais e um aumento do ritmo dos processo psíquicos.

Hipoestesia: É a diminuição da sensibilidade especial, uma lentidão dos processos psíquicos. É relativamente comum nos casos de depressão.

Anestesia: É a ausência, a abolição de toda forma de sensibilidade. Nos casos de anestesia histérica, é possível verificar que a sensibilidade não é generalizada, mas sim, seletiva e associada a ação de fatores afetivos.

Analgesia: é a perda da sensibilidade á dor, preservando-se ás outras formas de sensibilidade (tátil, térmica e discriminatória). Observa-se a presença de analgesia em casos de paralisia geral, catatonia, histeria e no estupor.






Psicopatologias: Como entender e diferenciar ?

 "A psicopatologia tem por objetivo o estudo descritivo dos fenômenos psíquicos anormais, exatamente como se apresentam á experiência imediata, seus critérios e definições são baseados nas expressões verbais e comportamento perceptível" dos enfermos*. 


Como toda ciência humana ela precisa ser analisada dentro de um contexto histórico, cultural, geográfico e tantos outros que possam contribuir na noção que o ser humano têm de "Normal", de "Normalidade" e daquilo que foge a este conceito.

As alterações psíquicas podem ser divididas em :
  1. Alterações da percepção;
  2. Alterações das representações;
  3. Alterações dos juízos;
  4. Alterações do raciocínio;
  5. Alterações  da memória;
  6. Alterações da atenção;
  7. Alterações da orientação;
  8. Alterações da consciência;
  9. Alterações da afetividade;
  10. Alterações da atividade voluntária e
  11. Alterações da linguagem.
Pretendo discorrer sobre cada tipo de alteração, a partir de hoje.


*Isaías Paim, Curso de Psicopatologia,10ªEdição

17/02/2011

Trantorno Alimentar

A relação de uma pessoa com seu alimento vai muito além da necessidade fisiológico: abrange aspectos de satisfação e prazer oral, bem como aspectos relacionais e afetivos.
Quando são detectadas severas perturbações no comportamento alimentar, temos a presença de um transtorno alimentar.Existem dois diagnósticos específicos: Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa.

Na Anorexia Nervosa, a perde de peso é conquistada com dietas rigorosas auto-impostas e jejum (tipo restritivo), prática de exercícios físicos, e/ou uso de laxantes e diuréticos (tipo purgativo), em busca de uma ideal de magreza inatingível. Nota-se  distorção da imagem corporal, onde a pessoa, mesmo que esteja abaixo do seu peso ideal, sente-se obesa.
A anorexia nervosa é mais comumente encontrada em mulheres, tendo início entre 15 e 18 anos de idade e leva a desnutrição de grau variável, modificações endócrinas e metabólicas (dentre elas a amenorréia ou suspensão da menstrução).

A Bulimia Nervosa é definida pela presença de episódios onde a pessoa ingere grande quantidade de alimentos em curto espaço de tempo, associado a sensação de perda de controle. Estes episódios são acompanhados de mecanismos reparadores para o controle do peso, através da indução de vômito, uso de medicamentos (laxantes, diuréticos, inibidores de apetite), dietas e exercícios físicos. Pode haver abuso de cafeína ou uso de cocaína.

Tanto a anorexia quanto a bulimia são doenças graves; havendo morte por inanição, desequilíbrio eletrolítico ou suicídio em 10 % dos casos hospitalizados. Estão associadas a presença de baixa auto estima e intrusão persistente de uma idéia super valorizada (o ideal de beleza e o medo de engordar).

Como tratamento, podemos contar com a associação de:
  • Hospitalização: para administração e controle de uma dieta hipercalórica (mesmo contra a vontade do paciente);
  • Psicofarmacoterapia;
  • Técnicas comportamentais e cognitivas;
  • Psicoterapia familiar e
  • Psicoterapia individual.